
A dengue hemorrágica, também conhecida como dengue grave, é uma forma séria da doença que pode surgir após a infecção pelo vírus da dengue. Ela acontece quando o corpo reage de maneira mais intensa ao vírus, podendo levar a complicações como sangramentos e alterações na coagulação do sangue. Entender os sinais e saber como agir é fundamental para um bom resultado no tratamento. Vamos conhecer mais sobre essa condição.
Pontos Chave
- A dengue hemorrágica é uma complicação da dengue clássica, caracterizada por alterações na coagulação sanguínea e potencial para hemorragias.
- Geralmente, o risco aumenta em pessoas que já tiveram dengue antes, pois o sistema imunológico pode reagir de forma exagerada a uma nova infecção por um sorotipo diferente do vírus.
- Os sintomas iniciais podem ser parecidos com os da dengue comum, mas sinais de alarme como dor abdominal forte, vômitos persistentes e sangramentos indicam a evolução para a forma grave.
- O tratamento foca no suporte ao paciente, com hidratação intensa e monitoramento hospitalar. Não existe um medicamento específico para o vírus.
- A prevenção, que inclui o controle do mosquito Aedes aegypti e, quando disponível, a vacinação, é a melhor forma de evitar tanto a dengue clássica quanto a hemorrágica.
Compreendendo a Dengue Hemorrágica
Definição e Natureza da Dengue Grave
A dengue hemorrágica, agora mais frequentemente referida como dengue grave, representa uma evolução preocupante da infecção viral. Ela se manifesta quando o vírus da dengue, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, desencadeia uma resposta imunológica desregulada no organismo.
Essa reação exacerbada pode levar a alterações significativas na coagulação sanguínea, abrindo portas para manifestações hemorrágicas e, em casos mais severos, para o extravasamento de fluidos corporais. É importante notar que a dengue grave não é causada por um sorotipo específico, mas sim pela interação complexa entre o vírus e o sistema imune do indivíduo.
Mecanismos Imunológicos da Reação Exacerbada
A patogênese da dengue grave está intrinsecamente ligada a uma resposta imune que, em vez de combater eficazmente o vírus, acaba por agravar o quadro clínico. Isso ocorre frequentemente em infecções secundárias, onde a exposição prévia a um sorotipo do vírus pode levar à produção de anticorpos que, paradoxalmente, facilitam a entrada de outros sorotipos nas células.
Essa resposta imune amplificada pode resultar na liberação de citocinas inflamatórias em excesso, danificando as células endoteliais dos vasos sanguíneos e comprometendo a cascata de coagulação. O resultado é um aumento na permeabilidade vascular e uma tendência a sangramentos.
Papel dos Sorotipos Virais na Patogênese
Existem quatro sorotipos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Embora qualquer um deles possa causar a doença, estudos indicam que a infecção primária por certos sorotipos, como o DENV-2, pode estar associada a um risco aumentado de desenvolver a forma grave da doença, especialmente em infecções subsequentes.
A imunidade adquirida após uma infecção é específica para o sorotipo que a causou, deixando o indivíduo suscetível a infecções por outros sorotipos. A segunda infecção, portanto, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento da dengue grave e suas manifestações hemorrágicas.
Manifestações Clínicas da Dengue Hemorrágica
Sintomas Iniciais Semelhantes à Dengue Clássica
No começo, a dengue hemorrágica pode nos enganar. Ela se apresenta de forma muito parecida com a dengue comum. Pense em febre alta, que chega de repente, dor de cabeça chata, aquela dor atrás dos olhos que incomoda bastante, dores no corpo e nas juntas, e uma sensação geral de mal-estar e cansaço.
Às vezes, pode dar até um pouco de enjoo ou vontade de vomitar. É nessa fase que muita gente acha que é só uma gripe mais forte e não procura ajuda médica logo de cara.
Sinais de Alarme e Evolução para Gravidade
A coisa muda de figura depois do terceiro dia, mais ou menos. É aí que a dengue hemorrágica mostra a sua cara mais séria. A febre pode até dar uma trégua, mas outros sintomas aparecem e indicam que a situação está piorando.
Fique atento a dores abdominais fortes e que não passam, vômitos que insistem em voltar (às vezes com sangue), a pele pode ficar fria e úmida, e a pessoa pode ficar mais sonolenta ou irritada. Dificuldade para respirar e confusão mental também são sinais de alerta importantes. Esses são os momentos em que a busca por atendimento médico se torna urgente.
Manifestações Hemorrágicas Específicas
O nome já diz tudo, né? A dengue hemorrágica causa sangramentos. Eles podem aparecer de várias formas. É comum ver sangramento nas gengivas, no nariz, ou até mesmo sangue na urina ou nas fezes. Manchas vermelhas na pele, que não somem quando pressionadas, também podem surgir.
Em casos mais graves, podem ocorrer sangramentos internos que são mais difíceis de identificar sem exames. A perda de fluidos corporais também é uma característica marcante dessa fase, podendo levar a uma queda na pressão arterial.
| Sintoma de Alarme |
|---|
| Dor abdominal intensa |
| Vômitos persistentes |
| Sangramento de mucosas |
| Dificuldade respiratória |
| Confusão mental |
Fatores de Risco e Suscetibilidade
Importância da Segunda Infecção Viral
A dengue é causada por quatro sorotipos diferentes do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Ao ser infectada por um sorotipo, a pessoa desenvolve imunidade permanente contra ele. No entanto, a infecção por um segundo sorotipo, ou mesmo por um terceiro ou quarto, pode aumentar significativamente o risco de desenvolver a forma grave da doença.
Essa reinfecção com um sorotipo diferente é um dos principais fatores que predispõem à dengue hemorrágica. O sistema imunológico, ao reencontrar o vírus, pode desencadear uma resposta inflamatória exagerada, conhecida como imunopatologia, que leva a complicações mais sérias, como a perda de fluidos e problemas de coagulação.
Grupos Populacionais com Risco Aumentado
Embora qualquer pessoa possa desenvolver a dengue grave, alguns grupos apresentam maior suscetibilidade. Isso inclui indivíduos que já tiveram dengue anteriormente, especialmente se a primeira infecção foi por um sorotipo diferente do atual. Idosos e crianças pequenas também podem ter um risco aumentado devido a sistemas imunológicos em desenvolvimento ou em declínio.
Gestantes também merecem atenção especial, pois a infecção pode afetar tanto a mãe quanto o feto. A atenção a esses grupos é vital para a prevenção de quadros mais severos.
Comorbidades e sua Influência no Quadro Clínico
Condições de saúde preexistentes podem agravar o quadro de dengue. Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas ou renais, podem ter uma resposta imunológica alterada e maior dificuldade em se recuperar. Essas comorbidades podem interferir na capacidade do corpo de lidar com o estresse da infecção viral e aumentar a probabilidade de complicações.
O manejo dessas condições durante a infecção por dengue é um ponto chave no tratamento, e o acompanhamento médico especializado é fundamental. Para mais informações sobre cuidados de saúde, o Guia da Enfermagem pode ser um recurso útil.
A interação entre a infecção viral e as condições de saúde pré-existentes cria um cenário complexo, onde a resposta do organismo à dengue pode ser imprevisível e mais severa. O monitoramento contínuo e a intervenção médica precoce são, portanto, indispensáveis para mitigar os riscos associados a esses fatores.
Diagnóstico Diferencial e Confirmação
Avaliação Clínica e Histórico Epidemiológico
Identificar a dengue grave exige uma análise cuidadosa dos sintomas e de onde a pessoa esteve. No começo, os sinais podem ser bem parecidos com os da dengue comum: febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e mal-estar geral. É por isso que o acompanhamento médico é tão importante, mesmo quando os sintomas parecem leves.
O médico vai perguntar sobre viagens recentes, contato com pessoas doentes e se a pessoa já teve dengue antes, pois a segunda infecção por um sorotipo diferente aumenta o risco de formas mais graves.
A história clínica detalhada, incluindo a exposição a mosquitos e a ocorrência prévia de dengue, é um pilar na suspeita diagnóstica.
Exames Laboratoriais Essenciais
Para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade, alguns exames de sangue são fundamentais. O hemograma completo é um deles, pois ajuda a verificar a contagem de plaquetas, que pode cair significativamente na dengue grave.
Outros exames buscam por marcadores específicos do vírus ou anticorpos produzidos pelo corpo em resposta à infecção. Esses testes ajudam a diferenciar a dengue de outras doenças com sintomas parecidos e a entender o quão avançada está a infecção.
- Hemograma completo: Avalia plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos.
- Pesquisa de antígenos virais: Detecta partes do vírus no sangue.
- Sorologia: Identifica anticorpos produzidos pelo corpo contra o vírus.
Interpretação de Achados Hematológicos
Os resultados dos exames de sangue, especialmente o hemograma, fornecem pistas importantes. Uma contagem de plaquetas abaixo do normal (trombocitopenia) é um sinal de alerta. Além disso, o hematócrito, que mede a proporção de glóbulos vermelhos no sangue, pode aumentar se houver perda de líquido para o plasma, indicando um quadro mais sério.
A análise conjunta desses achados, junto com os sintomas clínicos, permite ao médico traçar um quadro mais preciso da condição do paciente e decidir o melhor curso de ação.
Abordagens Terapêuticas para Dengue Grave
Manejo Clínico e Suporte Vital
O manejo da dengue grave foca em estabilizar o paciente e dar suporte às funções vitais. Não existe um antiviral específico para combater o vírus da dengue. Por isso, o tratamento é de suporte, visando controlar os sintomas e prevenir complicações.
A internação hospitalar é frequentemente necessária para monitoramento contínuo e intervenções rápidas.
O suporte vital pode incluir:
- Monitoramento rigoroso dos sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação de oxigênio).
- Avaliação frequente do estado neurológico.
- Controle da dor e da febre com medicamentos adequados, evitando aqueles que podem agravar o quadro hemorrágico.
- Repouso.
A rápida identificação dos sinais de alarme é o primeiro passo para um manejo clínico eficaz, permitindo que a equipe de saúde intervenha antes que a doença progrida para fases mais críticas.
Hidratação Venosa e Monitoramento Contínuo
A hidratação adequada é um dos pilares do tratamento da dengue grave. A perda de fluidos, especialmente em casos de extravasamento plasmático, pode levar rapidamente ao choque.
A administração de fluidos por via intravenosa é crucial para manter a perfusão tecidual e a pressão arterial. A quantidade e o tipo de fluido são ajustados com base na resposta clínica do paciente e nos parâmetros laboratoriais.
O monitoramento contínuo envolve:
- Controle do débito urinário: Um indicador importante da perfusão renal.
- Avaliação do hematócrito: Ajuda a monitorar o extravasamento de plasma e a resposta à fluidoterapia.
- Monitoramento eletrocardiográfico: Para detectar possíveis arritmias.
- Observação atenta de sinais de sangramento.
Intervenções Específicas em Casos Críticos
Em situações de extrema gravidade, intervenções mais específicas podem ser necessárias. Isso inclui o manejo de hemorragias ativas, distúrbios de coagulação e disfunções de órgãos. A equipe médica avaliará a necessidade de:
- Transfusões de sangue: Em casos de sangramento significativo ou anemia severa.
- Administração de hemoderivados: Como plaquetas ou plasma, dependendo da necessidade específica.
- Suporte ventilatório: Se houver dificuldade respiratória.
- Medidas para controle de sangramentos: Como a aplicação de pressão local ou, em casos raros, procedimentos cirúrgicos.
A gestão de pacientes com dengue grave exige uma abordagem multidisciplinar e atenção constante aos detalhes para evitar complicações e garantir a recuperação do paciente. Para informações sobre o combate ao mosquito transmissor, consulte a página da campanha Combate ao Mosquito.
Gerenciamento de Hemorragias e Coagulação
Monitoramento da Coagulação Sanguínea
Quando a dengue evolui para a forma grave, as alterações na coagulação do sangue se tornam uma preocupação central. É fundamental acompanhar de perto como o sangue está se comportando, especialmente em relação à sua capacidade de formar coágulos.
Isso ajuda a prever e a lidar com sangramentos que podem surgir. Exames de laboratório são a chave aqui, mostrando se os componentes responsáveis pela coagulação estão em níveis adequados.
Transfusões Sanguíneas e Derivados
Em situações onde a perda de sangue é significativa ou a capacidade de coagulação está muito comprometida, as transfusões podem ser necessárias. Isso pode envolver a administração de sangue total, concentrado de hemácias, plaquetas ou plasma fresco congelado, dependendo do que está em falta ou alterado no organismo do paciente.
A decisão de transfundir é baseada em avaliações clínicas e nos resultados dos exames laboratoriais, visando restaurar a capacidade do corpo de transportar oxigênio e controlar sangramentos. É um procedimento que requer atenção a detalhes para garantir a segurança e eficácia.
Medidas para Controle de Sangramentos Ativos
Lidar com sangramentos ativos exige uma abordagem multifacetada. Isso pode incluir a aplicação de pressão direta sobre o local do sangramento, o uso de agentes hemostáticos locais e, em casos mais severos, intervenções médicas para estancar a hemorragia. O monitoramento contínuo é importante para verificar se as medidas estão funcionando e se não há novos focos de sangramento.
A rápida identificação e controle são vitais para evitar complicações sérias, como a instabilidade hemodinâmica. Saber o que fazer em caso de parada cardiorrespiratória é um conhecimento que pode salvar vidas em emergências médicas [394b].
- Avaliação clínica detalhada do sangramento.
- Aplicação de pressão local e, se necessário, agentes hemostáticos.
- Monitoramento rigoroso dos sinais vitais e do volume de perda sanguínea.
- Consideração de transfusões de componentes sanguíneos conforme a necessidade.
A gestão de hemorragias na dengue grave é um processo dinâmico que exige vigilância constante e intervenções rápidas para estabilizar o paciente e prevenir complicações.
Prognóstico e Recuperação da Dengue Hemorrágica
Potencial de Cura e Evitabilidade de Óbitos
A dengue hemorrágica, apesar de sua gravidade, possui um potencial de cura. A intervenção médica precoce e o manejo adequado são determinantes para evitar desfechos fatais. A recuperação completa é possível, mas depende diretamente da rapidez com que o tratamento é iniciado e da resposta do organismo do paciente. É importante ressaltar que, com os cuidados corretos, os óbitos podem ser prevenidos.
Fase Crítica e Período de Recuperação
A doença geralmente apresenta uma fase crítica que pode surgir entre o quarto e o quinto dia após o início dos sintomas. Neste período, o risco de complicações como extravasamento de plasma e hemorragias aumenta significativamente. Após essa fase, se o paciente estiver estável, inicia-se o período de recuperação.
Este período pode variar em duração, mas é marcado pela gradual melhora dos sintomas e pela normalização dos parâmetros clínicos. O acompanhamento médico continua sendo importante para garantir que não haja recaídas ou complicações tardias.
Importância da Intervenção Médica Precoce
A busca por atendimento médico assim que os primeiros sinais de alarme surgem é um fator crucial para um prognóstico favorável. A internação hospitalar para monitoramento contínuo e hidratação intravenosa, quando indicada, faz toda a diferença.
O manejo clínico adequado, que inclui o controle de sangramentos e a reposição de fluidos, pode ser a diferença entre a vida e a morte. Profissionais de saúde qualificados, como os encontrados em Guia da Enfermagem, desempenham um papel vital no cuidado e na recuperação dos pacientes com dengue grave.
Prevenção Primária e Secundária
A prevenção da dengue, incluindo suas formas mais graves como a hemorrágica, foca em duas frentes principais: evitar a infecção inicial (primária) e gerenciar casos para evitar complicações (secundária). Ambas são essenciais para o controle da doença.
Controle Vetorial e Eliminação de Criadouros
O combate ao mosquito Aedes aegypti é a base da prevenção primária. Isso envolve ações contínuas para eliminar os locais onde o mosquito deposita seus ovos. A participação da comunidade é fundamental, pois muitos criadouros estão dentro ou ao redor das residências.
- Eliminar água parada: Vasos de plantas, pneus velhos, garrafas, calhas entupidas e recipientes que acumulam água devem ser esvaziados e limpos regularmente.
- Manter caixas d’água vedadas: Garantir que caixas d’água, cisternas e outros reservatórios de água estejam bem tampados para impedir o acesso do mosquito.
- Tratar água de piscinas: Piscinas devem ser tratadas com cloro e mantidas limpas. Água de chuva acumulada em lonas também deve ser removida.
- Descarte correto de lixo: Lixo que possa acumular água, como embalagens e recipientes plásticos, deve ser descartado em sacos fechados e em lixeiras tampadas.
A persistência na eliminação de criadouros é a medida mais eficaz para reduzir a população do mosquito e, consequentemente, a transmissão da dengue. Pequenas ações diárias fazem uma grande diferença.
Estratégias de Vacinação Contra a Dengue
A vacinação representa um avanço significativo na prevenção secundária e, em alguns casos, primária. As vacinas disponíveis visam reduzir o risco de infecção e, principalmente, a gravidade da doença e suas complicações.
- Vacinas disponíveis: Atualmente, existem vacinas que protegem contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Algumas são indicadas para quem já teve a doença, enquanto outras podem ser usadas em pessoas que nunca foram infectadas.
- Indicações: As faixas etárias e condições de saúde para a vacinação variam conforme o tipo de vacina. É importante consultar um profissional de saúde para saber qual a mais indicada.
- Acesso: A disponibilidade das vacinas pode variar entre o sistema público e a rede privada, com diferentes esquemas de aplicação e custos.
Uso de Repelentes e Barreiras Físicas
O uso de repelentes e outras barreiras físicas é uma medida complementar importante para a prevenção primária, protegendo o indivíduo contra as picadas do mosquito, especialmente em áreas de alta transmissão.
- Repelentes: Devem ser aplicados na pele exposta, seguindo as instruções do fabricante. Repelentes à base de DEET, picaridina ou IR3535 são eficazes.
- Roupas: Usar roupas que cubram a maior parte do corpo, especialmente durante o amanhecer e o entardecer, períodos de maior atividade do mosquito.
- Telas e mosquiteiros: Instalar telas em janelas e portas e usar mosquiteiros sobre as camas, principalmente em áreas com alta incidência do vetor, ajuda a impedir o contato com o mosquito dentro de casa.
O Papel da Vacinação na Prevenção
Vacinas Disponíveis e Mecanismos de Ação
As vacinas contra a dengue representam um avanço significativo no controle da doença, atuando como uma ferramenta complementar às medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. Atualmente, existem vacinas disponíveis que utilizam diferentes abordagens para conferir imunidade.
Uma das vacinas aprovadas é composta pelos quatro sorotipos vivos atenuados do vírus da dengue, produzidos por tecnologia de DNA recombinante. Este tipo de vacina é administrado em esquemas específicos e visa estimular uma resposta imune robusta contra cada sorotipo.
Outra vacina mais recente, com ampla cobertura, pode ser administrada em indivíduos que nunca tiveram a doença. Ela também protege contra os quatro sorotipos virais e demonstrou uma eficácia considerável em estudos clínicos.
O mecanismo de ação geral das vacinas é induzir o sistema imunológico a reconhecer e combater o vírus da dengue, caso ocorra uma infecção futura, minimizando o risco de desenvolver formas graves da doença.
A vacinação é uma estratégia de saúde pública que, aliada ao controle vetorial, pode reduzir drasticamente a incidência e a gravidade da dengue.
Indicações e Faixas Etárias para Vacinação
As indicações e faixas etárias para a vacinação contra a dengue variam conforme o tipo de vacina.
- Vacina com sorotipos vivos atenuados: Geralmente indicada para crianças a partir de 9 anos e adultos até 45 anos. É importante verificar as contraindicações específicas de cada fabricante.
- Vacina de ampla cobertura: Pode ser aplicada em um público mais extenso, tipicamente a partir dos 4 anos até os 60 anos de idade. Esta vacina não exige histórico prévio de infecção pela dengue.
É fundamental que a população consulte as recomendações médicas e os calendários de vacinação atualizados para determinar a elegibilidade e o esquema vacinal mais adequado.
Acesso e Disponibilidade das Vacinas
O acesso às vacinas contra a dengue tem se expandido, mas ainda apresenta desafios. Atualmente, algumas vacinas estão disponíveis na rede privada de saúde, exigindo consulta e aplicação em laboratórios e clínicas especializadas.
A disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda está em processo de avaliação e implementação para algumas vacinas, o que pode variar ao longo do tempo. A pesquisa e o desenvolvimento de novas vacinas, como as em fase de estudos clínicos avançados, prometem ampliar ainda mais as opções e o acesso à imunização no futuro.
Procurando Ajuda Médica Especializada
Identificação de Sinais de Alarme
Reconhecer os sinais de alarme da dengue grave é o primeiro passo para buscar ajuda médica. Estes sinais geralmente surgem quando a febre começa a diminuir, por volta do terceiro ou quarto dia de infecção.
Fique atento a manifestações como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes que impedem a hidratação oral, sangramentos em mucosas (gengiva, nariz), manchas vermelhas na pele que não desaparecem à pressão, e sonolência ou irritabilidade excessiva. A presença de qualquer um desses indicativos requer atenção médica imediata.
Atendimento de Urgência e Emergência
Ao identificar um ou mais sinais de alarme, a busca por um serviço de urgência ou emergência deve ser imediata. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar a progressão para formas mais graves da doença. Em unidades de pronto atendimento, a equipe médica realizará uma avaliação clínica detalhada, incluindo histórico epidemiológico e exame físico.
Exames laboratoriais, como o hemograma para verificar a contagem de plaquetas e a hematócrito, podem ser solicitados para auxiliar na confirmação do quadro e na definição da gravidade. A rápida intervenção pode ser a diferença para um bom prognóstico, especialmente em casos de cardiopulmonary arrest.
Especialistas Envolvidos no Tratamento
Embora o atendimento inicial em casos de suspeita de dengue grave seja geralmente realizado por clínicos gerais ou médicos de emergência, o acompanhamento pode envolver outras especialidades. Em situações mais complexas, um infectologista pode ser consultado para orientar o manejo terapêutico.
Em casos de complicações hemorrágicas significativas, a colaboração de hematologistas pode ser necessária para o manejo de distúrbios de coagulação e transfusões. O tratamento foca no suporte ao paciente, com hidratação venosa rigorosa, monitoramento contínuo dos sinais vitais e, se necessário, intervenções específicas para controlar sangramentos e manter a estabilidade hemodinâmica. A internação hospitalar é frequentemente indicada para garantir o suporte necessário.
Considerações Finais
A dengue hemorrágica, ou dengue grave, é uma forma séria da doença que exige atenção. Reconhecer os sinais de alerta, como sangramentos e dor abdominal intensa, é o primeiro passo para buscar ajuda médica rapidamente.
O tratamento, focado em hidratação e monitoramento, é eficaz quando iniciado cedo. A prevenção, com o combate ao mosquito Aedes aegypti e a vacinação, continua sendo a melhor estratégia para evitar tanto a dengue clássica quanto suas complicações mais graves. Manter-se informado e agir preventivamente protege a saúde individual e coletiva.
Perguntas Frequentes
O que é a Dengue Hemorrágica?
A Dengue Hemorrágica, também chamada de dengue grave, é uma forma mais séria da dengue. Ela acontece quando o vírus causa uma reação forte no corpo e mexe com a forma como o sangue coagula. Isso pode levar a sangramentos e, se não for tratada logo, pode ser perigosa.
Quais são os sintomas da Dengue Hemorrágica?
No começo, os sintomas são parecidos com os da dengue normal: febre alta, dor de cabeça, dor nos olhos e no corpo. Mas depois de uns três dias, se a doença piorar, podem aparecer sangramentos na gengiva, nariz ou vômitos com sangue. Dor forte na barriga, pele fria e dificuldade para respirar também são sinais de alerta.
Por que a Dengue Hemorrágica acontece?
Geralmente, a dengue hemorrágica acontece com quem já teve dengue antes e pega a doença de novo, mas com um tipo diferente do vírus. O corpo reage de um jeito muito forte, causando os problemas mais graves. O mosquito Aedes aegypti é quem transmite o vírus quando pica uma pessoa infectada.
A Dengue Hemorrágica tem cura?
Sim, a dengue hemorrágica tem cura! O mais importante é procurar um médico assim que sentir os primeiros sintomas. Quanto mais rápido o tratamento começar, maiores as chances de recuperação completa e de evitar complicações sérias.
Como é o tratamento da Dengue Hemorrágica?
Não existe um remédio específico para matar o vírus da dengue. O tratamento foca em cuidar dos sintomas e ajudar o corpo a se recuperar. Isso inclui beber bastante líquido, descansar e, em casos mais graves, ficar internado no hospital para receber soro na veia e ser monitorado de perto. Às vezes, pode ser preciso usar oxigênio ou até transfusão de sangue.
Quais são os fatores de risco para a Dengue Hemorrágica?
Ter dengue mais de uma vez é um fator importante. Pessoas com outras doenças, como diabetes ou pressão alta, e também idosos e grávidas, podem ter um risco maior de desenvolver a forma grave da doença.
Como posso me proteger da Dengue Hemorrágica?
A melhor forma de se proteger é evitar que o mosquito Aedes aegypti se espalhe. Isso significa não deixar água parada em vasos, pneus e outros recipientes. Usar repelente também ajuda muito. Já existem vacinas contra a dengue que podem oferecer proteção.
Quando devo procurar um médico urgentemente?
Você deve procurar um médico imediatamente se tiver febre alta e, depois de alguns dias, começar a sentir dor forte na barriga, vomitar muito (às vezes com sangue), ter sangramento no nariz ou gengiva, dificuldade para respirar, sentir muita fraqueza ou ficar confuso.